Pitiríase rubra pilar (doença de Devergie)

Etiologia:

Dermatose inflamatória crônica de etiologia desconhecida.

A deficiência por vitamina A não foi comprovada.

A boa resposta aos retinoides sistêmicos sugere uma possível disfunção na queratinização ou no metabolismo da vitamina A.

A possibilidade de uma patogênese autoimune foi sugerida devido a associação da pitiríase rubra pilar com miastenia gravis, doença celíaca, miosite, artrite inflamatória e hipotireoidismo.

Uma resposta imunológica anormal à antígenos foi sugerida nos casos associados a infecção pelo HIV, bem como com neoplasias viscerais (rim, pulmão e fígado).

A variante atípica juvenil (tipo 5) corresponde à maioria dos casos de pitiríase rubra pilar familiar.

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Dados Epidemiológicos:

Doença rara.

Acomete igualmente ambos os sexos.

A doença pode sofrer variação étnicas.

Na Inglaterra, a incidência estimada é de 1 para cada 5.000 atendimentos dermatológicos.

Na Índia, a incidência estimada é de 1 para cada 50.000 atendimentos.

A incidência pode ter dois ou três picos. O primeiro ocorre nas duas primeiras décadas de vida e o segundo durante a sexta década. O terceiro pico, se existente, ocorre devido a separação das primeira e segunda décadas em dois picos diferentes.

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Manifestações Clinicas:

Hiperqueratose folicular sobre base eritematosa é o achado mais característico da doença.

É patognomônica a presença de pápulas foliculares, com espículas córneas, localizadas no dorso da primeira e segunda falanges dos dedos.

O quadro pode evoluir com eritrodermia esfoliativa.

O acometimento ungueal é caracterizado por espessamento da lâmina, com alteração da cor e acúmulo de debris subungueais.

As membranas mucosas raramente são envolvidas, mas podem apresentar lesões semelhantes ao líquen plano oral.

Prurido e queimação ocorrem em 20% dos casos.

Existem 6 subtipos:

Tipo 1 (forma clássica do adulto): representa 55% dos casos. O quadro se inicia na região de cabeça e pescoço, progredindo em direção caudal. As lesões são caracterizadas por máculas e pápulas eritematosas perifoliculares com plug queratósico central. Essas pápulas podem ser vistas em tronco e extremidades, com a possibilidade de coalescer formando grandes placas de cor vermelho-salmão com características de “ilhas de pele sã”. Pode haver uma queratodermia palmoplantar cérea. O quadro entra em remissão em 3 anos. Não há fator desencadeante.

Tipo 2 (forma atípica do adulto): representa 5% dos casos. Presença de áreas de dermatite eczematosa, escamas ictiosiformes nas pernas, queratodermia palmoplantar com escamas lamelares grosseiras e alopecia ocasional. O quadro é crônico, com evolução de até 20 anos.

Tipo 3 (forma clássica da infância): representa 10% dos casos. O quadro clínico é semelhante a forma clássica do adulto (tipo 1), porém, os picos ocorrem nos primeiros 2 anos de vida e na adolescência.

Tipo 4 (forma circunscrita da infância): representa 25% dos casos. O quadro é focal, as lesões se localizam sobre os cotovelos e joelhos. O curso é variável.

Tipo 5 (forma atípica da infância): representa 5% dos casos. Corresponde a forma com maior número de pitiríase rubra pilar familiar. O quadro inicia ao nascimento ou nos primeiros anos de vida. Os pacientes apresentam hiperqueratose folicular, eritema, alterações escleroderma-símile em mão e pés. O curso da doença é crônico com pouca tendência a remissão.

Tipo 6 (associada ao HIV): representa menos de 5% dos casos. O quadro é semelhante ao da forma clássica, porém mais exarcebado, associado à acne conglobata, acne inversa e líquen espinuloso. O curso é crônico e menos favorável, mas pode responder à terapia antirretroviral.

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Diagnóstico:

Clínico, histopatológico.

Histopatológico: na camada córnea, alternância entre ortoqueratose e paraqueratose nos sentidos vertical e horizontal (aspecto de tabuleiro de xadrez); e hiperqueratose perifolicular (“em ombro”).

Na epiderme, observamos hiperplasia psoriasiforme com placas suprapapilares espessas, cristas interpapilares amplas e papilas dérmicas estreitas. Os folículos estão dilatados com tampões ortoqueratóticos.

Na derme, ocorre inflamação crônica e superficial variável, geralmente moderada. Acantólise em alguns casos.

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Diagnósticos diferenciais:

Tratamento:

O tratamento é empírico, já que sua etiologia permanece desconhecia.

Na forma juvenil clássica, preconiza-se terapias menos tóxicas, dada à tendência da remissão espontânea das lesões.

Isotretinoína, nas doses de 1-1,5mg/kg/dia, pode induzir a remissão significativa em 3-6 meses.

Acitretina (também relatada como benéfica).

Metotrexato, 10-25mg/semana (resposta em 3-6 meses).

Associação de metotrexato (5-30mg/semana) e acitretina pode ser utilizada (em casos graves).

Fototerapia com UVB-NB, UVA1 ou PUVA foram relatadas como benéficas, embora possam ter desencadeado a doença, em alguns casos.

Inibidores TNF-alfa (infliximabe, etanercept e adalimumabe) foram relatados como benéficos.

Outras terapias relatadas: retinoides tópicos, inibidores de calcineurina, análagos da vitamina D, ciclosporina, azatioprina.

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