Doença infecciosa do trato urogenital, transmitida através da relação sexual e, eventualmente, para o recém-nascidos durante o parto vaginal.
Agente: Neisseria gonorrhoeae
A Neisseria gonorrhoae é capaz de infectar as mucosas do trato genital, ânus, reto, olho e boca. A capacidade da bactéria de aderir ao epitélio da uretra anterior está relacionada com a presença de um apêndice filamentar, chamado pilli, que não adere ao tecido queratinizado. Assim, raramente se observam lesões na fossa navicular (homem) ou canal vaginal (mulheres).
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Doença comum.
Maior incidência entre os 15 e 24 anos de idade.
As mulheres são mais acometidas que os homens.
Fatores de risco: grande número de parceiros, homossexuais, imunossuprimidos.
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Existe um amplo espectro de lesões clínicas na gonorreia, tanto em homens como em mulheres, incluindo lesões assintomáticas, infecções localizadas (com e sem complicações) e disseminação sistêmica.
O período de incubação é de 2-5 dias.
50% das mulheres e 10% dos homens apresentam infeções assintomáticas, comum em infecções retais e faríngeas.
Em homens, a apresentação mais comum é a uretrite anterior aguda com disúria e secreção uretral purulenta. As complicações locais incluem inflamação das glândulas de Cowper e Tyson, pioderma gonocócico e estenose de uretra. A ascensão pode provocar epididimite, prostatite e vesiculite.
Em mulheres, 50% dos casos passam desapercebidos. O local mais acometido é o canal endocervical, podemos encontrar corrimento vaginal, disúria, sangramento entre as menstruações (metrorragia) e menorragia. A uretra é colonizada em 70-90% dos casos, principalmente, nas mulheres que fizeram histerectomia. Em alguns casos, observa-se inflamação nas glândulas de Bartholin. A complicação local mais comum é a salpingite aguda ou doença inflamatória pélvica, devido a ascensão da bactéria.
Essas complicações podem resultar em infertilidade, dor crônica e gravidez ectópica. A síndrome de Fitz-Hugh-Curtis (peri-hepatite gonocócica) é uma complicação rara.
Gonorreia faríngea: ocorre em homens e mulheres, normalmente, assintomática.
Gonorreia retal: assintomática em 50% dos casos, mas pode resultar em proctite, prurido e corrimento anal, sangramentos, tenesmo e obstrução intestinal.
Gonorreia oftálmica: pode provocar cegueira. Nos adultos, ocorre devido às práticas sexuais. Nas crianças, a inoculação ocorre no canal de parto infectado e a criança apresenta uma conjuntivite neonatal. Com o uso de pomadas antibióticas após o nascimento, o número de infecções é baixo.
Gonorreia disseminada: a manifestação mais comum é a síndrome artrite-dermatose, a tríade clássica consiste em febre, dores articulares e lesões cutâneas. Na pele, podemos encontrar pústulas hemorrágicas e necróticas, e úlceras, devido a uma vasculopatia embólica séptica. Os fatores de risco para gonorreia disseminada incluem menstruação e deficiência de complemento (C5-C9).
Gonorreia na gravidez: as manifestações clínicas não alteram na gravidez, porém, associa-se ao risco aumentado de aborto espontâneo, parto prematuro, ruptura prematura de membranas e mortalidade fetal perinatal.
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Clínico, exame direto, cultural e testes de ampliação do DNA, como PCR e LCR (ligase chain reaction).
Exame direto: presença de diplococos Gram-negativos. Sensibilidade de 95% nos homens e 40-70% nas mulheres.
Cultural: coletar amostra antes do tratamento. Os meios de cultura preferidos são o NYC, o Martin Lewis, o Thayer-Martin e Thayer-Martin modificado. A cultura é recomendada para o controle da cura.
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Infecções no trato urinário.
As lesões cutâneas da doença disseminada devem ser diferenciadas de cancro mole, donovanose, sífilis e herpes gentital.
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Ceftriaxona 250 mg, IM, dose única (primeira linha).
Ciprofloxacino 500 mg, VO, dose única (primeira linha), proibido em menores de 18 anos.
Ofloxacina 400mg,VO, dose única (segunda linha), proibido em menores de 18 anos.
Cefixima 400mg, VO, dose única (segunda linha).
Espectinomicina 2g, IM, dose única (segunda linha).
Ceftriaxona 1g, IM ou EV, 1x/dia, por 2 dias, após, manutenção com ciprofloxacina 500mg, VO, 2x/dia, por 7 dias e internação hospitalar (gonorreia disseminada).
Ciprofloxacina 500mg, EV, 2x/dia, por 2 dias, após, manutenção com ciprofloxacina 500mg, VO, 2x/dia, por 7 dias e internação hospitalar (gonorreia disseminada).
Espectromicina 2g, IM, 2x/dia, por 2 dias, após, manutenção com ciprofloxacina 500mg, VO, 2x/dia, por 7 dias e internação hospitalar (gonorreia disseminada).
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