Esporotricose

Etiologia:

A esporotricose é uma infecção subaguda ou crônica, causada por fungos do gênero Sporothrix.

Agentes: Sporothrix schenkii (isolado em humanos, animais e solo); Sporothrix globosa (isolado em humanos, animais e solo); Sporothrix braziliensis (isolado em amostras clínicas humanas e de felinos); Sporothrix luriei (isolado em humanos, na África); e Sporothrix mexicana.

Os fungos do gênero Sporothrix apresentam um dimorfismo térmico, desenvolvem-se na forma filamentosa (fase saprofítica) quando cultivados in vitro a 25ºC ou na natureza.

O contato com o hospedeiro mamífero ou o cultivo in vitro a 35-37ºC leva ao desenvolvimento de sua forma em levedura (fase parasítica).

A defesa do hospedeiro contra a invasão do fungo ainda não está totalmente estabelecida.

A disseminação da esporotricose, habitualmente, está relacionada a doenças que cursam com deficiência da imunidade celular, como a AIDS.

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Dados Epidemiológicos:

Ocorre em qualquer idade, sendo mais comum nos homens.

Trabalhadores rurais e jardineiros costumam ser acometidos.

Epidêmica no Rio de Janeiro, sendo o gato um forte fator na disseminação.

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Manifestações Clinicas:

As lesões cutâneas de esporotricose costumam ocorrer em locais suscetíveis à traumas, como as mãos, os pés, os braços, as pernas, o couro cabeludo e a face.

Forma cutâneo-linfática: é a apresentação mais comum (80% dos casos). No local da introdução acidental do fungo, surge uma lesão com aspecto pápulo-nodular (cancro) entre 2 a 4 semanas após o trauma. Após algumas semanas, surge um cordão endurecido no trajeto linfático da região, neste cordão surgem nódulos inflamatórios que ulceram, fistulizam e cicatrizam.

Forma cutânea fixa: ocorre uma lesão localizada no local do trauma (semelhante ao cancro), sem disseminação linfática.

Forma cutânea múltipla: múltiplas lesões que surgem na mesma época, sem acometimento sistêmico. Os pacientes são saudáveis e relatam múltiplos traumas.

Forma mucosas (ocular, nasal e outras): a mucosa ocular é a mais atingida, podendo se manifestar como conjuntivite, episclerite, uveíte, coroidite, lesões retro-bulbares, etc.
Síndrome oculoglandular de Parinaud: conjuntivite unilateral e linfadenopatia pré-auricular ipsilateral.

Forma sistêmica osteoarticular: pode ocorrer por meio de trauma direto, por invasão a partir da lesão cutânea ou por disseminação hematogênica, sendo considerada a localização mais profunda e com maior risco de sepse. A doença pode se manifestar como monoartrite com ou sem lesão cutânea associada, como lesões osteolíticas com reabsorções ósseas.

Forma pulmonar primária: ocorre por inalação dos propágulos do Sporothrix, os pacientes podem manifestar tosse, dispneia, hemoptise, etc. A disseminação hematogênica pode ocorrer, principalmente, nos imunocomprometidos.

Forma sistêmica: a disseminação da doença ocorre, principalmente, nos imunocomprometidos, seja por alcoolismo, uso de drogas, ou AIDS. A doença têm preferência pelos ossos, articulações, pulmões e sistema nervoso central.

Forma auto-resolutiva: ocorre regressão espontânea das lesões.

Formas imuno-reativas: eritema nodoso, eritema multiforme, síndrome de Sweet e artrite reativa (síndrome de Reiter).

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Diagnóstico:

Clínico, micológico direto, cultura para fungos, histopatológico, intradermorreação de esporotriquina, sorológicos (ELISA ou Western blotting).

Histopatológico: hiperplasia pseudoepiteliomatosa com abscessos neutrofílicos e o fenômeno “Hoeppli-Splendore” (o fungo não é visto no histopatológico).

Nos pacientes imunocomprometidos, o fenômeno não ocorre e o fungo poderá ser visualizado na “forma de charuto”

Micológico direto: geralmente negativo. Quando encontrado, o fungo pode apresentar corpos ovais, redondos ou em “forma de charuto”.

Cultura filamentosa (25ºC): crescimento 4-6 dias para lesões cutâneas ou 10-19 dias para lesões extracutâneas.

Microcultivo: hifas hialinas septadas e conídios ovais ou piriformes dispostos em forma de “margarida” na extremidade do codidióforo.

Macrocultivo: coloração creme e micélios aéreos visíveis, após a superfície se torna enrugada e a coloração muda para o castanho-enegrecido.

Cultura leveduriforme (37ºC)

Microcultivo: estruturas com aspecto de “naveta” ou “charuto”.

Macrocultivo: úmida, cremosa e coloração pardacento-amarelada.

O fungo pode apresentar pigmento negro por produção de melanina, mas não é considerado fungo demáceo.

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Diagnósticos diferenciais:

Paracoccidioidomicose, leishmaniose, cromoblastomicose, tuberculose cutânea, nocardíase cutânea, sífilis, doença da arranhadura do gato, pioderma gangrenoso, ectima gangrenoso, piodermites, rosácea, granuloma anular, entre outros.

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Tratamento:

Todos os esquemas devem durar até a cura clínica da doença, que ocorre em 2-3 meses, não sendo necessário manter a medicação por 1-3 meses após a cura, como se preconizava anteriormente.

Itraconazol 100 a 400 mg/dia (droga de escolha), observar interações medicamentosas (inibidor CYP3A4).

Iodeto de potássio em solução saturada, 1 a 2g/dia (crianças) e 2-4g/dia (adultos), dose dividida em 2 tomadas e deve ser ingerida com leite, suco ou iogurte.

Terbinafina 250 a 500mg/dia (adultos) e 62.5-250mg/dia (crianças).

Anfotericina B na forma lipossomal ou desoxicolato, EV, dose total 1,5 a 2g (quando risco de vida).

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