É um distúrbio inflamatório localizado, resultante da ativação do sistema imunológico inato, devido o efeito citotóxico de um agente físico ou químico que entrou em contato com a pele.
Os mecanismos envolvidos nas fases agudas e crônicas são diferentes. As lesões agudas ocorrem por dano citotóxico direto aos queratinócitos e liberação de mediadores inflamatórios que resultam em ativação das células T.
O TNF-∂ e IL-1∂ são os principais mediadores capazes de induzir a produção de outras citocinas, quimiocinas e moléculas de adesão, recrutando leucócitos ao local. O TNF-∂, a IL-6 e IL-1ß aumentam a expressão de molécula de adesão intercelular-1 (ICAM-1), característica da dermatite de contato irritativa.
Nas lesões crônicas, a função do extrato córneo é rompida, ocorrem perda de coesão dos corneócitos, descamação e perda de água transepidérmica.
Abaixo, os principais irritantes envolvidos e o mecanismo de toxidade:
Detergentes: ruptura de barreira, desnaturação de proteínas, toxidade da membrana celular.
Ácidos: desnaturação protéica, citotoxicidade.
Álcalis: desnaturação de lipídios de barreira, citotoxicidade por edema celular.
Óleos: desorganização dos lipídios de barreira.
Solventes orgânicos: solubilização dos lipídios da membrana, toxicidade da membrana.
Oxidantes: citotoxicidade.
Agentes redutores: queratólise.
Água: com a barreira rompida, ocorre citotoxicidade por tumefação das células epidérmicas viáveis.
A exposição excessiva à água, sabões e detergentes são causas comuns de dermatite de contato irritativa.
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É a doença dermatológica ocupacional mais comum, estima-se que corresponda a 70-80% dos casos.
Crianças e idosos são mais afetados por dermatite de contato irritativa devido uma barreira epidérmica menos firme.
Pessoas com história de dermatite atópica tem um risco maior de desenvolver dermatite ocupacional.
Fatores genéticos desempenham um papel na dermatite de contato irritativa, evidenciado em estudos de gêmeos monozigóticos.
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Existem diversas formas de dermatite de contato irritativa.
Dermatite de Contato Irritativa Aguda: ocorre quando a pele entra em contato com substâncias potentes (soluções ácidas ou alcalinas), geralmente em ambiente ocupacional.
Na pele, a reação irritativa é localizada e alcança seu ápice rapidamente, dentro de minutos a horas, e então começa a melhorar (fenômeno decrescente).
As lesões podem se manifestar como eritema, edema, bolhas e necrose. Se não houver lesão na derme, não deve ocorrer a formação de cicatrizes.
Dermatite de Contato Irritativa Aguda Tardia: trata-se de uma resposta inflamatória retardada atribuída a certos irritantes, como a antralina (ditranol), cloreto de benzalcônio (coservante/desinfetante) e o óxido de etileno. Pode mimetizar uma dermatite de contato alérgica.
Clinicamente, não se observa inflamação em até 8 a 24 horas após o contato. O sintoma mais comum é a queimação e não o prurido. Essa forma geralmente é vista durante o teste de contato.
Dermatite de Contato Irritativa por Reação Irritativa: é um tipo de dermatite irritativa subclínica em pessoas expostas a ambientes químicos líquidos, como cabeleireiros, entregadores de alimentos ou metalúrgicos.
Na pele, encontramos descamação, eritema, vesículas, pústulas e erosões, que geralmente se iniciam embaixo de joias oclusivas e, depois, se espalham para os dedos, mãos e antebraços. Pode simular uma dermatite disidrótica.
Dermatite de Contato Irritativa Cumulativa: resulta de múltiplas injúrias abaixo do limiar de tolerância da pele, sem tempo suficiente para restauração da barreira cutânea.
As lesões cutâneas são menos demarcadas, podemos encontrar prurido e dor (devido as fissuras), eritema, vesículas, xerose, liquenificação e hiperqueratose.
Dermatite de Contato Irritativa Traumática: pode ocorrer após um trauma agudo da pele, como em queimaduras ou lacerações. O paciente deve ser questionado quanto ao uso de sabões fortes e detergentes.
Na pele, as lesões eczematosas ocorrem nas mãos, duram semanas a meses, e caracterizam-se por eritema persistente, infiltração, escamas e fissuras.
Dermatite de Contato Irritativa Pustulosa e Acneiforme: ocorre após a exposição a certos irritantes, como metais, óleo de cróton, óleos mineirais, coaltar, graxas, fluídos de cortes e metais, e naftalinas. Caracteriza-se por lesões acneiformes e foliculites fora das topografias típicas, principalmente, em pacientes com dermatite atópica, dermatite seborreica ou acne vulgar.
Dermatite de Contato Irritativa Não Eritematosa: forma subclínica de DCI.
Dermatite de Contato Irritativa Subjetiva ou Sensorial: caracterizada por relatos de pinicação ou queimação na ausência de lesões cutâneas. Irritantes relacionados com esse subtipo incluem o propilenoglicol, hidroxiácidos, etanol, ácido lático, ácido azelaico, ácido benzoico, peróxido de benzoíla, mequinol e tretinoína.
Dermatite de Contato Irritativa Transportada pelo Ar: se desenvolve em áreas da pele da face e regiões periorbitais sensíveis. Pode simular uma reação fotoalérgica, porém, o envolvimento das pálpebras superiores, filtros e região submentoniana podem ajudar no diagnóstico.
Dermatite de Contato Irritativa Friccional: resulta de traumas friccionais leves e repetitivos. A resposta envolve hiperqueratose, acantose, liquenificação, geralmente, progredindo para o endurecimento, espessamento e aumento da resistência da pele.
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Clínico.
Histopatológico: dermatite espongiótica (compatível com eczemas).
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Dermatite de contato alérgica, dermatite atópica, dermatite seborreica, psoríase, disidrose, dermatofitoses, candidíase, líquen plano.
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Evitar as causas irritantes em casa ou no trabalho.
Medidas preventivas (uso de emolientes e hidratantes).
Corticoides tópicos (sobre os eczemas).
Fototerapia UVB-NB ou PUVA (casos resistentes).
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