Candidíase

Etiologia:

Micoses causadas por leveduras do gênero Candida. No início do século XX, acreditava-se que a única espécie patogênica para o homem era a Candida albicans, porém, a partir da década de 1950, outras espécies se mostraram patogênicas, como a Candida tropicalis, Candida glabrata, Candida krusei, Candida parapsilosis, Candida kefyr, Candida lusitaniae, Candida inconspicua, Candida rugosa, Candida dubliniensis e Candida guilliermondii.

A Candida albicans é responsável por 80 a 90% dos casos. As leveduras do gênero Candida, fazem parte da microbiota natural do homem, sendo encontradas como sapróbias na boca, regiões flexurais, orofaringe, escarro, intestino e vagina, em pacientes clinicamente saudáveis.

As manifestações de candidíase cutaneomucosa, como a orofaríngea e a vulvovaginite são frequentes, autolimitadas, e ocorrem na maioria das vezes em pessoas imunocompetentes. Fatores de risco: imunodeficiência, AIDS, avitaminoses, tuberculose, idosos, gravidez, prematuridade, xerostomia, neoplasias, hemopatias, endocrinopatias, avitaminoses, neutropênicos, pós-operatório, uso de antibióticos e corticoides, oclusão, pacientes em UTI.

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Dados Epidemiológicos:

Atinge todas as faixas etárias e ambos os sexos.

Mais comum em obesos, diabéticos, idosos, imunossuprimidos.

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Manifestações Clinicas:

A candidíase mucocutânea tem um amplo espectro de apresentações clínicas.

Candidíase cutânea: acomete as dobras da pele (inframamária, interdigitais, inguinais, axilares).

São placas eritematosas, maceradas, com pápulas eritematosas satélites. Paroníquia e onicomicose: caracterizados pela inflamação dos tecidos periungueais, distrofia da lâmina ungueal, e hipertrofia da dobras ungueais laterais e proximal.

Candidíase da área das fraldas: costuma ocorrer associada à dermatite de contato irritativa (por fezes e urina). O pico de incidência ocorre entre o 3º e o 4º mês de vida.

Na pele surgem placas eritematosas maceradas e esbranquiçadas, que podem apresentar pústulas e pápulas satélites.

Granuloma glúteo infantum/adultorum (dermatite erosiva de Jacquet): é uma condição reativa que ocorre no contexto de uma dermatite de contato irritativa crônica e grave na região anogenital de crianças ou adultos com diarréia crônica, encoprese ou dificuldade de controlar o esfíncter anal.

Caracterizado por pápulas/nódulos perianais pseudoverrucosos.

Candidíase oral:

Pseudomembranosa:  mais comum, caracterizada por área de eritema recoberta por placas pseudomembranas esbranquiçadas friáveis, semelhantes a leite talhado, na língua ou mucosa oral.

Atrófica aguda (eritematosa): surge após a degradação da pseudomembrana, caracterizada por áreas de atrofia e enantema, principalmente na língua e no palato.

Glossite romboide mediana (atrofia papilar central da língua): caracterizada por placas eritematosas lisas, bem delimitadas, com forma romboide e atrofia das papilas na parte mediana do dorso da língua. Pode representar um sinal de infecção por HIV ou outras causas de imunossupressão.

Atrófica crônica (estomatite da dentadura): ocorre em usuários de dentadura, principalmente mulheres. Caracterizada por enantema e edema crônico nos locais ocluídos pela prótese.

Queilite angular (perleche): lesões fissuradas com descamação branca nos ângulos da boca. É frequente a infecção bacteriana secundária. Alta incidência em recém-nascidos e idosos, e associa-se ao uso de prótese dentária, babar, dermatite atópica, deficiência de ferro e vitaminas.

Hiperplásica crônica: forma rara, caracterizada por placas ou nódulos esbranquiçados, homogêneos ou salpicados, aderidos, acometendo principalmente as regiões comissárias da mucosa oral. Tipicamente em tabagistas acima dos 50 anos. Pode progredir para carcinoma espinocelular, se não tratada. 

Candidíase mucocutânea crônica: é uma forma generalizada, observada em pacientes com imunossupressão primária, adquirida, ou com deficiências nutricionais graves.

Candidíase mucocutânea crônica familiar (autossômica recessiva, com lesões em boca e unhas);

Candidíase mucocutânea crônica difusa (mais grave, compromete a pele e mucosas, podendo formar granulomas); síndrome de APECED (síndrome endocrinopática associada à candidíase nas unhas, boca e pele, vitiligo, hipoparatireoidismo ou hipoadrenocorticalismo).

Candidíase vaginal: muito comum, caracterizada pelo corrimento e prurido vaginal. É mais comum em grávidas, diabéticas, infectadas pelo HIV e pacientes que se submeteram a antibioticoterapia prolongada.

Candidíase sistêmica: é grave e de difícil diagnóstico. Pode afetar múltiplos órgãos, evoluindo para candidíase disseminada. Os pacientes com maior risco de candidemia ou candidíase disseminada são os recém-nascidos, transplantados com ou sem neutropenia, portadores de neoplasias malignas, grandes queimados, pós cirurgias abdominais ou em nutrição parenteral.

Candídides: é o termo utilizado para lesões estéreis alérgicas, distantes dos focos primários.

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Diagnóstico:

Micológico direto e cultural.

Micológico direto: pseudo-hifas e blastoconídios. Cultura (microcultivo): pseudo-micélio com brotamentos (blastoconídios), clamidoconídios com parede grossa na extremidade do pseudofilamento lembrando uma “árvore de natal”.

Cultura (macrocultivo) leveruriforme com aspecto de “pingos de vela”.

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Diagnósticos diferenciais:

Dermatofitoses, dermatite de contato irritativa, dermatite de contato alérgica, dermatite seborreica, dermatite atópica, psoríase invertida, líquen plano, doença de Hailey-Hailey, balanite plasmocitária de Zoon, intertrigo estreptocócico, entre outras infecções bacterianas.

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Tratamento:

Candidíase cutânea ou balanite: imidazol tópico ou ciclopirox em creme ou loção, 2x/dia por 1-2 semanas, ou até melhorar; fluconazol 150mg/semana VO por 2-4 semanas (para casos recalcitrantes ou graves); itraconazol 200mg VO 2x/dia por 14 dias (para casos recalcitrantes ou graves).

Obs: em casos de vulvovaginite recorrente, o tratamento do parceiro é controverso. Em contraste, nos casos de balanite recorrente, o tratamento da parceira é recomendado.

Candidíase orofaríngea: nistatina suspensão 100.000 UI/mL, adultos e crianças (4-6 mL colutórios e engolir, 4x/dia), lactentes (1 mL dentro de cada bochecha, 4x/dia); clotrimazol 10mg 5x/dia; fluconazol 200mg VO no 1º dia, então 100-200mg/dia, por 7-14 dias após a resolução clínica (esquema para infectados pelo HIV ou imunossuprimidos com doença moderada a grave).

Candidíase vaginal: fluconazol 150mg VO em dose única, ou 3 doses com intervalo de 3 dias (casos graves ou pacientes imunossuprimidos); butoconazol 2% creme vaginal, 5g/dia por 3 dias; clotrimazol 1% creme vaginal, 5g/dia por 7-14 dias (recomendado para gestantes); miconazol 2% creme, 5g/dia por 7 dias (recomendado para gestantes).

Candidíase sistêmica: anfotericina B é dos fármacos de eleição, sendo também empregados a 5-fluorocitosina e os derivados triazólicos como o fluconazol e o itraconazol.

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