Os nevos azuis representam tumores benignos dos melanócitos dérmicos.
Em geral, os melanócitos dérmicos desaparecem durante a segunda metade da gestação, mas algumas células produtoras de melanina residuais permanecem na derme do couro cabeludo, região sacral e região dorsal das extremidades distais, locais onde os nevos azuis ocorrem com mais frequência.
A coloração azul desses nevos é resultado do fenômeno de Tyndall.
Mutações ativadoras somáticas em GNA11 (7-10%) e GNAQ (50-85%) foram detectadas em nevos azuis.
AppDerm®
A maioria dos nevos azuis é adquirida, surgindo durante a infância ou adolescência.
Até um quarto dos nevos azuis surgem em adultos de meia-idade.
25% dos nevos azuis celulares são congênitos.
AppDerm®
Existem diferentes subtipos.
Nevo azul comum: são pápulas bem delimitadas, cupuliformes, de coloração azul-acinzentada ou preta-azulada. Possuem 0,5 a 1 cm de diâmetro (raramente são maiores). São encontrados, principalmente, na parte dorsal das mãos e dos pés, na face e no couro cabeludo. Já foram descritos em vagina, colo uterino, linfonodos, próstata e cordão espermático. Lesões antigas podem apresentar áreas de hipopigmentação central e uma variante “acrômica” foi descrita. Lesões concêntricas e em alvo também foram descritas. As lesões são solitárias, mas podem ser múltiplas ou agminadas, também pode surgir associado ao nevo spilus ou ao nevo azul em placa.
Nevo azul celular: são nódulos ou placas azul-acincentado ou pretos, possuem de 1 a 3 cm de diâmetro, mas podem ser maiores. A superfície costuma ser lisa, mas pode ser irregular. Os locais mais comuns são os glúteos, área sacrococcígea, couro cabeludo, face e dorso dos pés. O nevo azul celular pode ser congênito e apresentar lesões satélites. Nevos azuis celulares benignos ou malignos podem surgir dentro de nevos melanocíticos congênitos. A relação de nevo azul comum para nevo azul celular é de 5 : 1.
Nevo azuis epitelioides: foram descritos como uma característica do complexo de Carney (síndrome LAMB/NAME), mas podem ocorrer de maneira esporádica. As lesões têm preferência pelo tronco e pelas extremidades, mas raramente se desenvolvem na mucosa orogenital. Histologicamente, podem ser indistinguíveis do melanocitoma epitelioide pigmentado.
Melanocitoma epitelioide pigmentado: termo utilizado para unificar os nevos azuis epitelioides das lesões previamente descritas como melanomas “tipo animal”, “melanofágicos” ou “sintetizantes de pigmento”. As lesões possuem baixo risco para metástases regionais e não-regionais. Eles quase nunca apresentam comportamento maligno. Todos nevos azuis epitelioides associados ao complexo de Carney (com mutações PRKAR1A) mostraram perda da proteína quinase A, reguladora da subunidade 1-alfa.
Nevo azul maligno: forma rara de melanoma que surgem mais comumente nos nevos azuis celulares. Apresentam crescimento progressivo, podendo medir vários centímetros de diâmetro, e uma aparência multinodular ou semelhante a uma placa. O couro cabeludo é o local mais acometido e os linfonodos são os locais mais comums de metástases. Melanomas podem surgir em um nevo azul celular, em nevos de Ota e Ito ou “de novo”.
AppDerm®
Clínico, dermatoscopia, histopatológico.
Histopatológico: muda de acordo com o subtipo.
Nevo azul comum: na derme, há proliferação de melanócitos pigmentados, fusiformes e dendríticos; quantidade variável de histiócitos pigmentados; e a quantidade de colágeno costuma estar aumentada, dando à lesão uma aparência fibrótica.
Nevo azul celular: melanócitos dendríticos intensamente pigmentados, associados a ninhos e fascículos de células fusiformes com citoplasma claro, contendo pouca ou nenhuma melanina. As células fusiformes agregadas podem estar dispostas em feixes cruzados se estendendo em várias direções. A penetração de ilhas celulares no tecido subcutâneo é vista com frequência. Algumas células podem parecer atípicas, com pleomorfismo nuclear, acompanhadas de células gigantes multinucleadas, infiltrados inflamatórios e raras mitoses.
Nevo azul epitelioide ou melanocitoma epitelioide pigmentado: composto por agregados dérmicos (podendo ser juncionais) de melanócitos epitelioides aumentados, contendo melanina granular e nucléolos proeminentes. Atipia citológica e mitoses dérmicas podem estar presentes.
Nevo azul maligno (apresenta uma ou mais das seguintes características): > 1 cm; assimetria; ulceração; características infiltrativas; atipia citológica; necrose; e mitoses.
Dermatoscopia: caracterizado por uma pigmentação homogênea cinza-azulada a preto-azulada.
Imuno-histoquímica: S-100 (na variante amelanótica).
AppDerm®
Tatuagem traumática, nevo combinado, lago venoso, angioqueratoma, hemangioma esclerosante, melanoma, nevo atípico, nevo de Reed, dermatofibroma, carcinoma basocelular pigmentado, tumor glômico, hidrocistoma apócrino, espiroadenoma écrino.
AppDerm®
Lesões estáveis; menores de 1 cm de diâmetro; e localizadas em topografias típicas não necessitam de tratamento.
Lesões recidivantes, ou multinodulares, ou em placa, ou que sofreram alguma alteração devem ser submetidas ao exame histopatológico (há risco de melanoma).
AppDerm®