A neurofibromatose (NF1) tem os achados cutâneos melhor caracterizados e diagnosticados, sendo o foco deste capítulo.
É um distúrbio neurocutâneo caracterizado por lesões cutâneas e neoplasias do sistema nervoso central e/ou periférico.
Síndrome hereditária com herança autossômica dominante, resultante de mutações do gene NF1.
Classificação de neurofibromatose (Riccardi, 1982):
NF1: Doença de von Recklinghausen;
NF2: Schwannoma acústico;
NF3: Misto (neurofibromas centrais e periféricos);
NF4: Variante (interesse histórico);
NF5: Segmentar (manchas e/ou neurofibromas acometendo um ou mais dermátomos);
NF6: Apenas máculas café com leite (inclui a sd. de Legius, semelhante à NF1);
NF7: Início tardio (interesse histórico).
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A incidência da neurofibromatose tipo 1 (doença de von Recklinghausen) é aproximadamente 1 em cada 3.000 nascimentos.
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As manifestações clínicas da NF1 são inúmeras. O reconhecimento das manifestações clínicas é fundamental para o diagnóstico da doença.
Manchas café com leite (> 90% dos casos): são manchas de coloração que varia do bronze ao marrom-escuro, bem demarcadas com bordas regulares e formato oval. Podem acometer qualquer local do corpo (exceto couro cabeludo, palmas e plantas). Para cumprir a especificidade desse critério, é necessário um mínimo de seis manchas, as manchas devem ser > 5mm em indivíduos pré-púberes e > 15mm em pessoas pós-púberes.
Efélides axilares e/ou inguinais (80% dos casos): são múltiplas máculas marrons de 1 a 3 mm que acometem essas zonas intertriginosas, o pescoço, e ocasionalmente, a maior parte da superfície cutânea. Efélides em axilas e virilhas nos pacientes com NF1 são chamadas de “sinal de Crowe”.
Neurofibromas cutâneos (60-90% dos casos): são papulonódulos em forma de cúpula ou pedunculados, de coloração que varia do rosa ao marrom, com textura macia ou ligeiramente elástica e podem variar no tamanho, podendo ter de poucos milímetros a vários centímetros. As lesões sofrem invaginação quando pressionadas e apresentam o sinal da “casa de botão”. As lesões costumam ser assintomáticas, mas podem ser pruriginosas quando irritadas. Alguns neurofibromas podem aparecer já aos 4 a 5 anos de idade, porém se desenvolvem mais tipicamente durante a puberdade, com crescimento ocasional durante a gestação.
Neuroma plexiforme (25% dos casos): podem seguir ao longo de nervos e formar nódulos ou massas macias e firmes no tecido subcutâneo, ou podem infiltrar difusamente todas as camadas da pele, fáscias, músculos e estruturas internas.
Essas lesões podem provocar hipertrofia óssea e do tecido mole, resultando em distorções da cabeça, pescoço ou extremidades. As lesões são congênitas, mas só são percebidas durante a infância, as lesões profundas podem passar despercebidas. A transformação de neuromas plexiformes em tumores malignos da bainha de nervo periférico (neurofibrossarcomas) ocorre em 3 a 15% das pessoas com NF1, com um pico de incidência em adultos jovens.
Nódulos de Lisch (>90% dos casos): é a manifestação oftalmológica da doença. São hamartomas pigmentados na íris. As lesões começam a se desenvolver por volta dos 3 anos de idade, possuem 1 a 2mm de diâmetro e formato de cúpula, sendo melhor visualizadas no exame com lâmpada de fenda.
Glioma óptico (15% dos casos): é a alteração mais comum no cérebro. Tumor de comportamento variável. O paciente costuma apresentar alterações de acuidade visual.
Outros tumores associados: tumor glômico, tumores malignos da bainha de nervo periférico, feocromocitoma, leucemia mielomonocítica juvenil (associada ao xantogranuloma juvenil), rabdossarcomioma, câncer de mama, entre outros.
Manifestações neurológicas: dificuldade de aprendizado, convulsões, retardo mental, estenose aqueductal e hidrocéfalo.
Manifestações ósseas: macrocefalia (20-50%), escoliose (5-10%), displasia da asa do esfenoide (<5%), espinha bífida, pseudoartrose (2%), afinamento do córtex de ossos longos, crescimento localizado exacerbado, ausência de patelas, entre outras alterações.
Manifestações cardiovasculares: hipertensão, estenose pulmonar, estenose de artéria renal, anomalias cerebrovasculares (estenoses e aneurismas).
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Critérios dignósticos para a neurofibromatose tipo 1 (2 ou mais devem estar presentes):
Seis ou mais manchas café com leite (> 5mm em pessoas pré-púberes e > 15mm em pessoas pós púberes); dois ou mais neurofibromas (qualquer tipo) ou 1 neuroma plexiforme; efélides axilares ou inguinais; glioma óptico; dois ou mais nódulos de Lisch; alterações ósseas sugestivas; história familiar positiva para parentes de primeiro grau (pais, irmãos, filhos).
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Esclerose tuberosa, síndromes lentiginosas, doença de Dowling-Degos, síndrome de Proteus.
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Tratamento multidisciplinar.
Os neurofibromas e neuromas plexiformes podem ser tratados cirurgicamente.
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