Exantemas virais

Etiologia:

O exantema é uma manifestação cutânea que costuma estar associada com infecções virais ou reações medicamentosas.

Aqui, abordaremos as principais causas de exantemas durante a infância:

Herpes-vírus 4 ou Epstein Barr vírus (vírus DNA): mononucleose.

Herpes-vírus 6 (vírus DNA): exantema súbito ou roséola infantil ou sexta doença.

Parvovírus B19 (vírus DNA): eritema infeccioso ou quinta doença.

Paramixovírus (vírus RNA): sarampo.

Togavírus (vírus RNA): rubéola.

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Dados Epidemiológicos:

Ocorre em todas as raças e em qualquer idade, porém, é mais frequente em crianças e adolescentes.

Ocorre em ambos os sexos.

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Manifestações Clinicas:

Mononucleose infecciosa: após 30 a 50 dias de incubação, surge a tríade clínica de febre, faringite e linfadenopatia cervical. O exantema costuma surgir 7-10 dias após o uso de antibióticos para o tratamento inadequado de amigdalite bacteriana, podendo ser maculopapular, eritematoso ou escarlatiniforme.

Podem ocorrer petéquias, urticas, edema palpebral e, nas mulher,  úlceras genitais (úlcera de Lipshultz). A mononucleose pode ter complicações graves como obstrução de vias aéreas devido ao aumento dos tecidos linfoides, ruptura esplênica pós-traumas, hepatite, trombocitopenia, anemia hemolítica, glomerulonefrite e distúrbios do sistema nervoso central.

Exantema súbito ou roséola infantil: frequente na infância. Após 5 a 15 dias de incubação, a criança apresenta febre alta, que tem duração de 3-5 dias, seguida por uma erupção cutânea quando a febre começa a diminuir.

Edema palpebral, sintomas respiratórios, linfadenopatia cervical ou occipital, abaulamento de fontanela anterior, enantema oral, úlceras na úvula e pápulas eritematosas no palato mole (manchas de Nagayama) podem acompanhar o quadro. A convulsão febril é a complicação mais comum, ocorrendo em 10-15% dos casos.

Eritema infeccioso: comum em crianças de 4 a 10 anos. Após o período de incubação de 4 a 14 dias, a criança começa com sintomas prodrômicos leves (febre baixa, mialgia e cefaleia) que surgem 7-10 dias antes do exantema.

O exantema é eritemato-edematoso ou máculo-papular e costuma iniciar nas bochechas dando o aspecto de “fáceis esbofeteada”. Após, atinge tronco, braços, nádegas e coxas. O exantema pode durar de 1 a 3 semanas e, neste período, ele sofre exacerbações, principalmente com o calor e exposição solar.

Artralgias ocorrem em 10% dos pacientes e costumam afetar as pequenas articulações. A infecção fetal é grave e pode provocar a morte do feto.

O eritema infeccioso pode desencadear a síndrome papulopurpúrica de luvas e meias (edema, eritema, petéquias e púrpuras em palmas e plantas, ocasionalmente, com extensão para a parte dorsal dos membros).

Esta síndrome está associada à infecção aguda por B19, embora outras etiologias tenham sido relatadas (coxsackievírus B6 e herpes-vírus 6).

Sarampo: é altamente contagioso, a sua disseminação ocorre através de gotículas respiratórias. Após o período de incubação de 10-14 dias, o paciente começa a apresentar febre, tosse, congestão nasal e rinoconjuntivite. Um enantema patognomônico, as manchas de Koplik, aparecem neste período e é composto por pápulas cinzas e brancas na mucosa bucal.

O exantema surge ao longo de 2-4 dias e consiste em pápulas e máculas eritematosas que iniciam na testa e espalham-se no sentido cefalocaudal. As complicações do sarampo são otite, pneumonia, encefalite, miocardite, panencefalite esclerosante subaguda e óbito.

Rubéola: a doença é disseminada por gotículas respiratórias, com um período de incubação de 16-18 dias. Após esse período, iniciam os sintomas prodrômicos como febre baixa, cefaleia e sintomas respiratórios. Após 1-5 dias, o exantema máculo-papular aparece no rosto e se espalha no sentido cefalocaudal.

Manchas eritematosas ou petéquias são observadas no palato (sinal de Forchheimer). A erupção costuma ser acompanhada de linfadenopatia sensível, principalmente nas regiões occipital, auricular posterior e cervical.

As complicações da rubéola incluem artralgias e artrite, hepatite, miocardite, pericardite, anemia hemolítica, trombocitopenia e encefalite.

A rubéola congênita é grave, o recém-nascido pode apresentar catarata, surdez, defeitos cardíacos congênitos (persistência do carnal arterial, defeitos septais ventriculares), anormalidades do SNC e, ocasionalmente, observa-se a apresentação de “bebê com aspecto de muffin de blueberry” em função da hematopoiese dérmica.

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Diagnóstico:

Clínico, hemograma (leucocitose e linfocitose com atipia na mononucleose), sorologia (presença de imunoglobulinas específicas para partículas virais) e PCR.

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Diagnósticos diferenciais:

Sífilis, farmacodermias, mastocitoses.

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Tratamento:

Mononucleose infecciosa: doença auto-limitada e o tratamento é de suporte.

Exantema súbito ou roséola infantil: o quadro costuma ser auto-limitado. Pacientes graves podem ser tratados com foscarnete e ganciclovir.

Eritema infeccioso: os pacientes se sentem bem, nenhuma terapia é necessária normalmente.

Sarampo: não há terapia específica, a prevenção com vacinas é o caminho mais eficaz. A OMS recomenda administração de vitamina A para todas as crianças com sarampo agudo (diariamente por 2 dia; 200.000 UI se > 12 meses, 100.000 UI se 6-11 meses, 50.000 UI se < 6 meses). Para pessoas não vacinadas expostas ao sarampo, a administração da vacina em 3 dias ou de imunoglobulina IM ou EV em 6 dias de exposição, pode oferecer uma certa proteção.

Rubéola: tratamento de suporte. A vacinação preventiva é a melhor opção. Gestantes suscetíveis que entrarem em contato com o vírus deverão receber aconselhamento pré-natal.
Gamaglobulina, Ganciclovir ou aciclovir em altas doses podem ser indicados em doentes imunodeprimidos.

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